Conto
popular, literatura e formação de leitores[1]
Ricardo
Azevedo*
Parte considerável dos
contos populares parece ser originária de mitos arcaicos. Os mitos, como se
sabe, são, em princípio, narrativas sagradas relatando fatos que teriam ocorrido
num tempo ou mundo anterior ao nosso e que, em geral, tentam explicar a origem
e a existência das coisas: como e porque surgiram o mundo, os homens, os
costumes, as leis, os animais, os vegetais, os fenômenos da natureza etc.[2]
Em outras palavras, através de histórias, as culturas criaram (e criam) mitos
com o objetivo de tornar compreensíveis e interpretáveis a existência humana e
tudo o que existe.
Vejamos trechos de dois
relatos míticos recolhidos pelo antropólogo Claude Lévi-Strauss em sua passagem
pelo Brasil, na década de 40. Ambos tentam explicar porque o pássaro
Engole-vento é como é. O primeiro,
corresponde a um mito guarani:
“Uma filha de chefe e um rapaz se
apaixonaram, mas os pais da jovem não aprovavam a união da filha (...). Um dia,
a moça desapareceu. Descobriu-se que tinha fugido para as colinas refugiando-se
entre animais e pássaros. Enviaram embaixadas e mais embaixadas até ela, para
convencê-la a voltar, mas em vão: o desgosto a tinha tornado surda e
insensível. Um feiticeiro declarou que só um grande choque poderia tirá-la
daquela letargia. Anunciou-se então à heroína a falsa morte de seu amado. Ela
deu um pulo e desapareceu, transformada em Engole-vento.”[3]
Sobre
o mesmo pássaro, cujo canto é muito triste, o ilustre pesquisador apresentou o
mito karajá. Eis um trecho:
“...certa
noite, a mais velha entre duas irmãs, admirando a beleza da estrela vespertina,
desejou-a. No dia seguinte, a estrela entrou em sua casa sob a forma de um
velho curvado, enrugado e de cabelos brancos, e declarou estar disposto a se
casar com ela. A mulher, horrorizada, rejeitou-o. Sua irmã mais nova ficou com
pena e aceitou o velho como marido. No dia seguinte, descobriram que aquele
corpo não passava de um invólucro, sob o qual havia um belo rapaz, ricamente
paramentado, que sabia fazer crescer as plantas alimentares que os índios ainda
não conheciam. A mais velha sentiu ciúme da irmã por sua sorte, e sentiu
vergonha de sua própria estupidez. Transformou-se então no Engole-vento, de
grito desconsolado.” [4]
Como se vê, a associação
entre narrativas míticas e contos populares pode ser bastante nítida.
Ressalto que o que chamo
aqui de “conto popular” é sinônimo de “conto de fadas”, “conto maravilhoso” ou
“conto de encantamento”, narrativas que no nordeste brasileiro também são
conhecidas como “histórias de trancoso”.
Em grandes linhas, é
possível colocar a questão nos seguintes termos: acredita-se que muitas
narrativas míticas, oriundas das mais diversas culturas, teriam sofrido um
processo de dessacralização, ou seja, com o passar do tempo, deixaram de ser
interpretadas com fé religiosa. Algumas delas, por serem muito bonitas,
continuaram a ser contadas e, de boca em boca, sofrendo naturalmente todo tipo
de alteração e influência – “quem conta um conto aumenta um ponto” –
transformaram-se no que conhecemos hoje como contos populares.
Esses contos, é bom
lembrar, são típicas expressões de culturas orais (sem escrita), ou seja,
culturas que não contam com recursos para fixar informações. De narrador em
narrador, guardados, através dos séculos, na plasticidade da memória e da voz,
viajaram para todos os lados sendo disseminados pela transmissão boca a boca.
Nesse processo, sofreram todo tipo de modificação: fusões, acréscimos, cortes,
substituições e influências. Em tese, numa simplificação, de um mesmo mito
(narrativa sagrada arcaica) europeu, por exemplo, podem ter surgido infindáveis
e variadas histórias, marcadas pelas diversas culturas por onde passaram e
recriadas por um sem número de contadores (cada um com seu estilo).
Eis porque os contos
populares são tão ricos, multifacetados e complexos e também porque costuma ser
perda de tempo pretender identificar sua “verdadeira origem”.
O tema é amplo. Para
abordá-lo no curto espaço desse artigo, será preciso dividi-lo em tópicos.
O primeiro deles diz
respeito a algumas características, entre outras, dos contos populares: 1) são
sempre assumidamente de ficção, ou seja, não pretendem ter acontecido de fato
(ao contrário, por exemplo, do “causo” ou da “lenda”); 2) trazem, muitas vezes,
a possibilidade do elemento maravilhoso: a existência de forças desconhecidas,
feitiços, monstros, encantos, instrumentos mágicos, vozes do além, viagens
extraordinárias e amigos ou inimigos sobrenaturais; 3) não costumam ocorrer num tempo determinado (ou
histórico), mas – como os mitos – num passado ou numa dimensão anteriores e
desconhecidos. Note-se que seu desenvolvimento acontece “certa vez”, “há muito
tempo atrás”, “no tempo em que os animais falavam”, “há milhares de anos quando
nada existia do que hoje existe” etc.;
4) com suas personagens acontece algo semelhante. Por vezes, nem nome
têm: são “o pai e seus três filhos, o mais velho, o do meio e o caçula”, ou “a bela
adormecida no bosque”, ou “certo rei muito poderoso pai de uma princesa mais
linda do que as flores do campo” e, por último, 5) neles, em geral, a passagem
do tempo inexiste. O herói despede-se do pai, viaja pelo mundo, enfrenta
perigos e um sem número de aventuras, desobedece uma recomendação, é castigado,
foge, liberta a princesa das garras do monstro, retorna, é traído, luta, vence,
casa-se com ela e em termos temporais aparentemente nada mudou. Crianças,
jovens e velhos começam e terminam a história mantendo, em geral, suas
respectivas idades.
Não
são poucas as exceções, mas que surgem para confirmar a recorrência dos pontos
alinhavados acima de forma esquemática.
Um segundo tópico merece
ser destacado. Na maioria das vezes, os contos populares, ou de encantamento,
não obedecem a uma moral de princípios.
Em tese, a moral corresponde a um conjunto de normas de comportamento
destinadas a regular as relações entre os indivíduos[5].
Estamos acostumados e condicionados a pensar na moral como um acervo de princípios
abstratos, gerais e universais de comportamento que deve ser respeitado por
todos seja qual for a situação: não mentir, não roubar, não matar, valorizar a
busca da justiça, da imparcialidade, da impessoalidade, da isonomia, da isenção
e da neutralidade. Pois bem, a moral dos contos de encantamento, chamada por
alguns de moral ingênua, costuma
seguir outros paradigmas. Segundo ela, tudo o que favorece o herói é o Bem e
tudo o que prejudica o herói é o Mal. Trata-se, em outras palavras, de uma
moral relativa, flexível e pragmática, ligada não a princípios abstratos e
universais mas a atuações e situações concretas do aqui-agora. É ela que, por
exemplo, pode fazer com que certa mãe diga: “ Meu filho cometeu um crime, mas
errar é humano. Nossa Senhora da Penha vai perdoá-lo e fazer com que a polícia
jamais o encontre.” Note-se que, de
acordo com a moral ingênua, errar
costuma ser bem mais humano quando a gente gosta de quem errou.
A questão também pode
ser vista por outro viés: o do livre-arbítrio. A lei, um princípio geral e
abstrato, nos obriga a não ultrapassar a
velocidade de 60 km por hora nos perímetros urbanos. Estamos, por exemplo, com
uma pessoa gravemente ferida dentro do carro. Devemos cumprir a lei ou
não?
Tento demonstrar que a
questão da moral ingênua implica em
dissenso e contradição e que boa parte dos contos populares obedece a uma moral
que, embora eventualmente condenável em termos da sociabilidade, pode trazer à
baila situações e conflitos humanos de grande interesse.
Ainda neste tópico, um
último exemplo (que, por sinal, vincula a moral
ingênua à cultura popular): como exigir que a moral de uma sociedade
civilizada e justa, onde todos os cidadãos pagam impostos e recebem em troca os
benefícios do Estado – segurança, moradia, educação, transporte, saúde e
trabalho –, seja igual à moral de uma sociedade desequilibrada, onde cada um
luta por si para poder sobreviver? São questionamentos que mereceriam uma
discussão urgente, principalmente se levarmos em conta a sociedade brasileira.
Passo para um terceiro
aspecto dos contos populares: seu caráter eminentemente narrativo.
Para compreender esse
ponto, é preciso abordar, mesmo que de passagem, um tema relevante e muito
amplo, embora nem sempre levado em conta: a oralidade, suas características e implicações.
Sabemos que os contos
populares, em princípio, nascem em culturas orais, ou seja, são histórias
criadas, recriadas e preservadas ao longo do tempo – sempre com modificações –
através da narração e da memória, recursos típicos das culturas que não dispõem
de instrumentos de fixação como a escrita.
Mesmo em versões
contemporâneas feitas por escrito, o conto popular continua marcado pela
narrativa oral, pois tende a manter certas características do discurso falado e
pressupõe sempre uma voz que narra e um ouvinte.
Refiro-me a um escritor
que de certo modo escreve como quem fala e a um leitor que lê como quem ouve.
Podemos, claro, escrever
solitariamente sem nos preocuparmos com o eventual leitor mas, convenhamos,
quem narra em voz alta sozinho para ninguém, corre o risco de ser internado à
força em alguma clínica psiquiátrica.
A narrativa, portanto,
é, em princípio, essencialmente dialógica e tem como substrato, paradigma e
pressuposto básico, sempre e sempre, a comunicação entre pessoas feita
face-a-face, em suma, de um eu que se dirige a um outro situado.
Explico-me melhor: há
textos marcados principalmente pela cultura escrita. Isso significa, em resumo,
que são fixados e conservados por texto, o que garante sua perenidade e a possibilidade
de serem lidos e interpretados em qualquer lugar, época ou contexto histórico.
Um escritor sabe que, mesmo depois de morto, sua obra poderá ser lida. Sabe que
seu livro poderá ser distribuído pelo mundo afora e que ele jamais verá o rosto
nem saberá a opinião da maioria de seus leitores. Sabe que pode se dar ao luxo
de escrever de forma fragmentada, recorrer a vocabulário e sintaxes incomuns,
de utilizar metáforas obscuras, fazer citações ou de ser experimental (pois o
leitor pode ler, reler e analisar o texto com calma). Pode ser indiferente ao
fato de ser ou não compreendido. Se quiser, pode até ser agressivo e ofender a
mãe do leitor. Em tese, e considerando o meio de expressão que utiliza – a
escrita – um escritor na verdade independe completamente do seu leitor.
Já um orador – seja ele
um contador de histórias, um professor, um político ou um padre durante o sermão – quando se
dirige a uma platéia face-a-face, “ao vivo”, vê-se diante de uma situação
bastante diferente da vivida pelo escritor.
Sabe que suas palavras,
seu tom de voz, seus gestos, seus olhos, o ambiente, a reação da platéia e a
energia estabelecida entre ele e a platéia, fazem parte de seu discurso e
jamais poderão ser completamente reproduzidos (mesmo que seu discurso seja gravado,
filmado ou fixado por texto. A diferença entre uma aula e o filme dessa aula é
tão grande quanto a diferença entre um discurso ao vivo e sua transcrição numa
folha de papel). Sabe que seu discurso tem um alto grau de efemeridade. Sabe
que precisa ser necessariamente compreendido, ou seja, evita falar para ser
“interpretado” pois isso demandaria tempo, distanciamento, análise e reflexão
por parte do ouvinte. Sabe que se alguém
da platéia não compreender seu discurso, poderá perguntar, portanto sabe que,
se for o caso, pode improvisar e utilizar palavras não previstas – modificará
seu discurso – para transmitir uma idéia. Sabe que não poderia fazer seu
discurso se estivesse morto. Sabe que sua platéia se resume às pessoas que
estão à sua frente e precisa estar atento à reação dessas pessoas. Não pode,
portanto, se dar ao luxo de falar de forma fragmentada, recorrer a vocabulário
e sintaxes incomuns, utilizar metáforas obscuras, fazer citações ou ser
experimental, pois correrá o risco de não ser compreendido. Sabe que se for
agressivo e ofender a mãe de alguém da platéia pode até tomar uma surra. Em
tese e considerando o meio de expressão que utiliza – a voz – um orador depende
completamente do seu ouvinte.
Dei tantos exemplos para
defender a seguinte idéia: há textos escritos marcados pela cultura escrita e
textos escritos marcados pela cultura oral. Esses últimos tentam sempre
recuperar a situação do orador diante de uma platéia, o discurso falado no
contato face-a-face. Textos assim, claros, diretos, concisos e dependentes da
platéia (do leitor), são exatamente aqueles utilizados pelo escritor de contos
populares. Além da busca da comunicação
imediata, da linguagem pública e direta, da concisão e dos temas passíveis de
identificação e compartilhamento, um de seus vários recursos é a narratividade.
Naturalmente, o termo
“narrativa” é amplo e pressupõe a possibilidade de diversas abordagens.
Refiro-me a uma narrativa que se pretenda popular, que seja linear, construída
acumulativamente, com começo, meio e fim, que tenha continuidade, que tenha
como objetivo contar uma história de interesse geral, abordando temas que
permitam identificação imediata, um discurso compartilhável construído através
de uma linguagem familiar e acessível.
Abro parênteses
para lembrar que a narrativa é um
recurso humano vital e fundamental. Sem ela, a sociabilidade, e mesmo a visão
que temos de nós mesmos, não poderia ser construída. Narramos nossas
experiências cotidianas, nosso dia no trabalho, fatos acontecidos, lembranças,
sonhos, projetos e desejos. Narramos, mesmo de forma solitária, em pensamento,
para nós mesmos, episódios acontecidos que de alguma forma não ficaram claros.
Para além de um recurso literário, a narrativa pode ser considerada um dos
procedimentos através dos quais tornamos a vida e o mundo interpretáveis.
Na verdade, a narrativa
sempre foi
uma tendência definidora do ser humano: da escrita rupestre
entremeada de sons guturais à elaboração da linguagem narrativa, observamos que
o homem conta a história de si mesmo e do mundo. A necessidade dos ancestrais
de reunirem-se à volta do fogo para se guarnecerem do frio e das feras está
acompanhada do pressentimento de que algo poderia ser revelado na fala do
sacerdote. E, na atualidade, não é com outro pressentimento que o homem rodeia
o aparelho de televisão, à espera de um sacerdote dessacralizado da mídia:
todos aguardamos notícias, revelações, reconstruções de eventos, através das
narrativas.
[6]
Ainda sobre o tema, vejamos as palavras de Clóvis Barbosa,
um homem do povo, pescador e contador de histórias em São Romão, Minas Gerais:
Gosto de contá história (...). Qualqué história eu gosto de
contá. Se é um caso alegre, de brincá com os otro, eu vô contano e vô rino. Se
é história de sofrimento, eu vô falano, o coração vai doeno e tem vez que dá
choro. Aí nós chora junto e lembra tudo de difici que nós passô. É um choro
manso, uma chuva fininha.[7]
A construção narrativa, em suma, é um procedimento que, sem
dúvida, ajuda a estruturar e tornar compreensível a experiência de vida, não de
forma solitária, mas sim, note-se, por meio da sociabilidade e do contato
dialógico com o outro. Como disse o contador de histórias mineiro “aí nós chora
junto e lembra tudo de difíci que nós passô”.
Não por acaso, a narratividade é uma característica central
do conto popular.
Perceber que há textos narrativos e textos não-narrativos
assim como perceber que há textos marcados pela cultura escrita e textos
marcados pela cultura oral, podem ser experiências interessantes para o leitor
jovem, em fase de compreender a literatura e situar-se diante dela.
Falei em “tornar compreensível a experiência de vida” e isso
nos remete a meu último tópico: os temas e imagens recorrentes nos
contos populares.
Ao contrário do que se
poderia pensar, o fato de serem de ficção e poderem conter aspectos mágicos e
de encantamento, nem de longe tira dos contos populares sua extraordinária
capacidade de abordar a vida concreta e, mais ainda, de especular sobre ela.
Tanto assim que neles nos deparamos com princesas que nascem mudas e recuperam
sua voz quando encontram o homem por quem se apaixonam. Pessoas que deitam-se
na cama e ficam “adormecidas” até serem despertadas por um sentimento forte.
Mães ou madrastas que, ao notarem que suas filhas cresceram e tornaram-se
mulheres, mandam matá-las. Injustiças e transgressões. Gigantes que abusam de
moças feitas prisioneiras em castelos. Irmãos que mentem e traem. Pais que tentam desposar suas próprias
filhas. Heróis tolos que fazem tudo errado mas mesmo assim se dão bem. Moças ou
moços que não conseguem rir e se dispõem a se casar com alguém que saiba
alegrá-los. Traições, ciúmes, orgulhos, mentiras, vaidades, vinganças, invejas
e ódios. Heróis malandros. Enigmas e adivinhações. Heróis que arriscam a vida e colocam os interesses da coletividade acima
dos seus interesses pessoais. Lutas de fracos contra fortes. Animais que falam
e se comportam como gente. Seduções de todo o tipo. Heróis que tentam enganar a
morte. Pactos com o diabo e seus preços. Homens sábios. Príncipes e princesas
que lutam para escapar de castelos no fundo do mar. Pessoas e cidades
transitoriamente transformadas em pedra. Sinas e manias. Moços que precisam
aprender a linguagem dos pássaros para conquistar suas amadas. Truques e ardis.
Heróis transformados em animais ou monstros em busca de sua identidade perdida.
Não é pouco!
Através dos contos
populares, chamados também de contos de encantamento, de fadas etc., temos a
oportunidade de entrar em contato com temas que dizem respeito à condição
humana vital e concreta, suas buscas, seus conflitos, seus paradoxos, suas
transgressões e suas ambigüidades.
Na minha visão, os
contos populares, independentemente de rótulos como “cultura popular”,
“folclore” e outros, podem ser considerados uma excelente introdução à
literatura pois nada mais fazem do que trazer ao leitor, de forma acessível e
compatilhável, enredos, imagens e temas recorrentes na ficção e na poesia.
É muito bom quando
alguém – principalmente se for um jovem – descobre que, além de regras, informações
e lições, um livro pode abordar os temas da vida humana concreta. Terá, creio,
uma boa chance de tornar-se um leitor e, mais, cheio de entusiasmo diante do
que leu, indicará o texto a seus amigos, contribuindo assim para a formação de
outros leitores.
[1]
Artigo escrito originalmente para o
programa educacional “Salto para o futuro” e disponível no site http://www.tvebrasil.com.br/salto). Publicado
*
Escritor e desenhista, doutor em Letras
pela Universidade de São Paulo, autor de Lúcio
vira bicho, Cia das Letras, Contos de
espanto e alumbramento, Scipione e A
hora do cachorro louco, Ática, entre outros.
[2] O assunto ultrapassa os
limites desse artigo. Há, naturalmente, mitos modernos e contemporâneos. O
termo costuma ser utilizado de forma imprecisa, seja meramente como “relatos
fantásticos” ou “seres fabulosos” seja como “crenças inverídicas” ou mesmo
simples mentiras. A noção de mito é bem
mais complexa que isso. Para mais informações c.f. por exemplo ELIADE, Mircea. Mito e realidade. Trad. Pola Civelli.
São Paulo, Perspectiva, 1972.
[3] LÉVI-STRAUSS, Claude. A
oleira ciumenta. Trad. Beatriz Perrone-Moisés. São Paulo, Brasiliense,
1986, p. 55.
[4] Idem.ibidem p. 58.
[5] A ética, vale lembrar, é a teoria ou a ciência do comportamento moral dos homens em sociedade. Ou seja, ela representa um “conjunto sistemático de conhecimentos racionais e objetivos a respeito do comportamento humano moral” (Vazquez). Enquanto a moral é inseparável da atividade prática, a ética constitui-se na avaliação, reflexão e crítica sobre esta atividade. Sobre o assunto, c.f. VAZQUEZ, Adolfo Sanchez. Ética. Civilização Brasileira, 1999 e ARISTÓTELES. Ética a Nicômacos. Universidade de Brasília, 1992.
[6] GOMES, Núbia P.M. &
PEREIRA, Edimilson P. Mundo encaixado –
Significação da cultura popular. Belo Horizonte, Mazza Edições, 1992. p.
112.
[7] Idem.Ibidem, p. 179.