Biografia
   

Foto de Marcelo Uchôa

"O livro é um lugar de papel e dentro dele existe sempre uma paisagem. O leitor abre o livro, vai lendo, lendo e, quando vê, já está mergulhado na paisagem. Pensando bem, ler é como viajar para outro universo sem sair de casa. Caminhando dentro do livro, o leitor vai conhecer personagens e lugares, participar de aventuras, desvendar segredos, ficar encantado, entrar em contato com opiniões diferentes das suas, sentir medo, acreditar em sonhos, chorar, dar gargalhadas, querer fugir e, às vezes, até sentir vontade de dar um beijinho na princesa. Tudo é mentira. Ao mesmo tempo, tudo é verdade, tanto que após a viagem, que alguns chamam leitura, o leitor, se tiver sorte, pode ficar compreendendo um pouco melhor sua própria vida, as outras pessoas e as coisas do mundo."

Ricardo Azevedo


Ricardo Azevedo, escritor e ilustrador paulista nascido em 1949, é autor de mais cem livros para crianças e jovens, entre eles Um homem no sótão (Ática), Lúcio vira bicho (Cia. das Letras), Aula de carnaval e outros poemas (Ática), A hora do cachorro louco (Ática), Livro dos pontos de vista (Ática), Armazém do Folclore (Ática), Histórias de bobos, bocós, burraldos e paspalhões (Projeto), O livro das palavras (Ed. do Brasil), Trezentos parafusos a menos (Companhia das Letrinhas), O sábio ao contrário (Senac/Ática), Contos de enganar a morte (Ática), Chega de saudade (Moderna), Contos de espanto e alumbramento (Scipione), O peixe que podia cantar (Edições SM) e Ninguém sabe o que é um poema (Ática). Ganhou várias vezes o prêmio Jabuti, o APCA e outros. Tem livros publicados na Alemanha, em Portugal, no México, na França e na Holanda. Bacharel em Comunicação Visual pela Faculdade de Artes Plásticas da Fundação Armando Álvares Penteado e doutor em Teoria Literária pela Universidade de São Paulo. Pesquisador na área de cultura popular. Professor convidado do curso de especialização em Arte Educação no PREPES-PUCMG desde 2003. Tem artigos publicados em livros e revistas abordando problemas do uso da literatura de ficção na escola.

Biografia mais pessoal
Sou casado com a Maria e tenho três filhos: Maria Isabel, José Eduardo e Clara. Lá em casa morava uma simpática e peluda carregadora de pulgas de nome Diana. Se entrasse ladrão em casa, acho que a gente estava bem. Infelizmente, a Diana tinha treze anos e morreu. Agora temos dois animais irracionais em casa: Platão e um outro tão pequeno que ainda nem tem nome, Gosto muito de música, tanto que se não fosse escritor tentaria arranjar emprego de pianista de pizzaria. Um dos melhores livros que já li foi o Dom Quixote de Miguel de Cervantes. Falando de pintura, admiro o belga René Magritte. Falando de gravura, admiro o pernambucano Gilvan Samico e também as xilogravuras populares.Torço pelo glorioso Santos Futebol Clube, o gigante indescritível da Vila Belmiro. Aprecio pão, queijo e cerveja, por isso minha discreta barriguinha. Sou tímido mas não medroso, se bem que já fugi de cachorro bravo. Calço 43. Venho pesquisando a cultura popular brasileira há muitos anos. Acho que a literatura deve tratar sempre daqueles assuntos meio vagos, sobre os quais ninguém pode ensinar, só compartilhar: as emoções, os medos, as paixões, as alegrias, as injustiças, o cômico, os sonhos, a passagem inexorável do tempo, a dupla existência da verdade, as utopias, o sublime, o paradoxal, as ambigüidades, a busca do auto-conhecimento, coisas banais que fazem parte do dia-a dia de todas as pessoas. Para mim, a literatura, inclusive a infantil, é, sem dúvida, uma forma de tentar compreender a vida e o mundo.

São Paulo, outubro de 2005


 

Ricardo Azevedo, writer and illustrator born in 1949 in the city of São Paulo, Brazil, published more than a hundred books for children and young adults, many of which were published in Germany, Portugal, Mexico, France, and the Netherlands. He graduated in Visual Communication at the Fine Arts Department of the Armando Álvares Penteado Foundation, in São Paulo, and completed his PhD in Literary Theory at the University of São Paulo. He is a researcher in popular Brazilian culture, and since 2003 a visiting professor in Education Art at PUC-MG, a renowned private university in the state of Minas Gerais. Azevedo published numerous articles in books and magazines about the use of fiction literature in schools. He won several Brazilian literary awards.

Personal Bio
I’m married to Maria, and we have three children: Maria Isabel, José Eduardo, and Clara. At home we used to have a nice and hairy flea-holder called Diana. I believe we would be all right if a thief came in. Unfortunately, Diana was 13 and she died. Now we have two irrational animals at home: Platão, and another one who’s so small he doesn’t even have a name yet. I love music very much; if I weren’t a writer I would try to find a job as a piano-player in a pizza place. One of the best books I ever read was Cervantes’ Don Quixote. In painting, I admire the Belgian René Magritte. In gravure, I admire the Pernambucanian Gilvan Samico (from the Brazilian state of Pernambuco), and also popular Brazilian engravings. In soccer, I root for the glorious Santos Futebol Clube, the indescribable giant of Vila Belmiro. I like bread, cheese, and beer, all of which explain my humble belly. I’m shy but not afraid, although I already ran from raging dogs. My shoe size is 43. I’ve been researching Brazilian culture for many years. I believe literature must always deal with those vague subjects no one can teach but everybody can share: emotions, fears, passions, joys, injustices, the laughable, dreams, the inexorable passing of time, the double existence of truth, utopias, the sublime, the paradoxical, ambivalences, the search for self-knowledge, trivial stuff that’s part of the daily life of each and every person. To me, literature – including children’s literature – is beyond any doubt a way of trying to understand life and the world.

São Paulo, October 2005


“A book is a place of paper, and inside it there always is a landscape. The reader opens the book, goes on reading and reading, and is all of a sudden immerse in the landscape. On second thoughts, reading is like travelling to another universe without leaving home. Walking inside the book, the reader will meet characters and places, share adventures, solve secrets, be amazed, be in contact with opinions that differ from his own, be afraid, believe in dreams, weep, laugh out loud, want to run away, and sometimes will even feel like, maybe, kissing the princess. It is all a lie. At the same time, it is all true, so much that after the trip – which some call reading – the reader, with any luck, can understand a little better his own life, other people, and the things in the world.”

Ricardo Azevedo