Lúcio vira bicho  
Cia das Letras  1998
 

Depois  de terminar a última prova do vestibular, Lúcio volta para casa, arranja dinheiro com o pai e parte de moto para descansar e esfriar a cabeça. Durante sua extraordinária viagem, acaba descobrindo os prazeres e os perigos do amor; quase perde a própria  identidade; fica incapaz de simplesmente falar; entra para um grupo de cruéis seqüestradores; não é castrado por um triz;  abriga dentro do peito, não poucas vezes, a vontade de morrer e acabar com tudo; convive com dois polêmicos professores universitários; colabora com um bando de religiosos enganadores do povo; vê uma cabeça decapitada mexer os olhos e dar conselhos; banca o artista de teatro; é obrigado a participar de uma espécie de lua-de-mel pública; quase morre atropelado. E, como se não bastasse, sente na carne, mil vezes, o prego enferrujado da solidão. No meio de tudo isso, Lúcio encontra tempo para meditar sobre si mesmo, constrói uma amizade sólida e ainda vive momentos de pura alegria e encantamento. O texto de Lúcio vira bicho foi criado a partir de O asno de ouro de Lúcio Apuleio, obra escrita no século II d.C. cujo enredo é entrecortado pelas histórias que o protagonista vai ouvindo ao longo de suas numerosas peripécias. O mesmo acontece em Lúcio vira bicho. Além de participar intimamente do drama vivido pela suave Alzira, nosso jovem viajante escuta, por exemplo, a estranha aventura amorosa vivida pelo amigo de um caminhoneiro, ouve o caso do sujeito que ficou tomando conta de um defunto e acabou perdendo uma preciosa parte do corpo e toma conhecimento da história de Luís e o filho do diabo, entre muitas outras. A exemplo da obra de Apuleio, Lúcio vira bicho pode ser considerada uma história de iniciação, pois o herói, apos passar por experiências decisivas, amadurece e modifica sua maneira de ver a vida e o mundo.