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Coletânea bastante original de 36 poemas e 3 adivinhas, cujo tema
principal é o papel nas mais variadas formas e usos. Estão
presentes, entre outros, o papel de carta, o papel de bala, o guardanapo,
a figurinha, o passe, o dinheiro, a dobradura, a partitura, o cardápio,
o barquinho de papel e até o papel higiênico. Ricardo Azevedo
trabalha a linguagem dando ênfase principalmente na rima e no ritmo
bem marcado, embora também use outras formas e recursos poéticos.
São brincadeiras verbais em que objetos comuns aparecem apresentados
de maneira inusitada, descritos de forma não convencional, gerando
surpresa e humor. “Copia tudo que vêx,/ repete tudo que encontrax,/
devia ter outro nomex,/ mas agora não tem jeitox,/ pois é
o povo que dix,/ pois é do povo essa vox,/ que insiste em queres
chamarx,/ fotocópia de xerox.” Os poemas estão acompanhados
de ilustrações coloridas de vários tamanhos que conversam
com os textos, ora acrescentando algo, ora os interpretando ou reinterpretando.
Esta feliz associação entre linguagem verbal e visual tem
a capacidade de criar imagens e novos significados para aquilo que é
conhecido. É o caso do poema Partitura: “Ela flutua no ar,/
ela vive no compasso,/ ela passa e não se vê,/ é flor
que cresce no espaço,/ Ela existe e ninguém pega,/ ela é
corpo transparente,/ ela é castelo invisível,/ é
sonho fora da gente./ Essa pintura impalpável,/ essa impossível
escultura,/ pára só quando o maestro/ escreve uma partitura.”
O desenho de página inteira que o acompanha, mostra uma partitura
cujas notas musicais são passarinhos. Pelo trabalho com a linguagem
e pela vivacidade do conjunto, que tem a capacidade de atiçar a
imaginação, esta obra é recomendada para crianças
com domínio de leitura e para ser lido aos que ainda não
foram alfabetizados. (Ângela Müller de Toledo apud Bibliografia
Brasileira de Literatura Infantil e Juvenil – São Paulo –
V.12 – P. 1-332 – 2001 Biblioteca Infanto-Juvenil Monteiro
Lobato)
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